15 fevereiro, 2014

Fortaleza, minha nova cidade


Depois de um tempo aqui, descobri que Fortaleza não nasceu pra você chegar e amar. Ela não é assim. Ela te conquista, com o passar dos dias. E nada melhor do que uma conquista!
Como uma boa sulista, os primeiros dias foram difíceis, e acreditem, não foi pelo calor. O vento aqui é constante e a noite muito fresco, não é necessário um ar condicionado, um ventilador ta bom. Diferente do Sul no Verão, se é que acreditam.
Mas tive dificuldades pelo principal problema da capital cearense nos últimos anos: a extrema violência. O medo de andar na rua a noite, ou mesmo de dia, ou com dinheiro no bolso/bolsa e celular, é constante. É necessário que você aprenda a andar na rua, pra que evite assaltos. Conheço mulheres que deixam anéis, colares e alianças em casa quando vão ao centro. A polícia continua numa greve constante e cabe dizer, pouca diferença faz tê-los na rua. O governo de Cid Gomes tem acabado com a paz dos cearenses e é por isso que, pessoalmente, eu vou transferir meu título pra cá e votar muito consciente em alguém que não faça barbaridades das quais eu tenho visto diariamente na cidade. 
Além da violência, a cultura nordestina é muito diferente da sulista. Nós somos mais fechados, por vezes até anti-sociais, mas aqui isso não existe. Eles puxam papo, te tocam e nas lojas e restaurantes, te tratam como alguém muito querido. Um povo realmente muito hospitaleiro. Esses dias eu experimentei o Vatapá no Centro, enquanto ouvia uns garotos batendo o tambor e me senti num verdadeiro Pelourinho! Hahah. A cozinheira fez com todo capricho e cuidado meu prato e ficou ao meu lado conversando o tempo todo. 
Um povo tão simples que te faz lembrar do que realmente importa na vida. Eles pedem licença pra varrer embaixo dos seus pés na lanchonete. No começo é estranho, mas depois você acostuma. E são absurdamente (e às vezes, irritantemente) calmos. No caixa, na fila, na rua... Mas no trânsito, não! No trânsito, os cearenses são VIDA LOKA! As motos passam no meio, no lado direito e esquerdo. Eles não dão sinal pra trocar de mão ou virar a esquina. Não dão vez pra você entrar na avenida, e ao mesmo tempo que demoram pra sair no sinaleiro, eles buzinam se você demora. Obviamente, algumas coisas não fazem sentido. 

E então, temos duas últimas coisas: o dialeto e os preços absurdamente baixos. Começando pelo dialeto, é muito engraçado. O "cara" aqui é "macho", e "bala" é de revolver, se você quer bala Halls, então ou você fala "Halls" ou pede "bombom". E o bombom, é "bombom de chocolate". Eles falam muito, muito rápido, e costumam falar coisas como "aié" quando fazem uma pergunta ou o típico "oxe" (que eu já fui completamente rendida) pra qualquer tipo de susto. O que você fala é entendido, mas no exato momento em que você disse, eles te corrigem com o dialeto deles. Se você quer pechinchar, é melhor falar "tá de quanto?", assim, eles já percebem que você é de casa. 
Por fim, uma das melhores coisas! Tudo quanto é acessório, roupas e calçados são insanamente baratos. Abaixo eu coloquei algumas fotos do que já comprei aqui. Mas indo nos lugares populares, você encontra blusas há 10 reais, vestidos há 20, calçados há 30 e acessórios, então... No máximo 10 reais. Minha mala já quase não fecha e eu não paro de comprar roupas. 
Como extra, eu resolvi colocar esse parágrafo sobre o ensino superior. A UFC tem um dos vestibulares mais difíceis que eu já dei uma olhada. É por isso que em quase todos os cursos, ela domina como melhor Universidade. Os cearenses investem pesado nas faculdades, por vezes trabalhando só pra pagar a instituição. As particulares são caras e o ensino é de qualidade. Mais pontos pra Fortaleza. 
Um segredinho: depois de todas essas lições de humanidade, simplicidade e hospitalidade, não quero sair do Nordeste não. Amo o meu Sul, eternamente, minha Terra Natal. Mas estou completamente conquistada e apaixonada por esse lugar. Assim que provar das praias, volto aqui! :)
1ª: 10, 2ª: 10, 3ª: 30, 30, 10 e 4ª: 20.


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